2026: O Ano do Consumidor Segundo um Visionário de Venture Capital

por Marcos Evaristo
Why this VC thinks 2026 will be ‘the year of the consumer’

O Retorno do Setor de Tecnologia Consumidora: Uma Nova Era à Vista

Nos últimos anos, o investimento em startups de tecnologia voltadas para o consumidor enfrentou desafios significativos. Desde 2022, a turbulência econômica e a inflação em alta deixaram os investidores de capital de risco mais cautelosos, especialmente quando se trata de prever o comportamento de gastos dos consumidores. No entanto, alguns especialistas acreditam que uma reviravolta pode estar a caminho, e que 2026 será o ano do consumidor. Vamos explorar essa perspectiva mais a fundo.

O Cenário Atual do Investimento em Tecnologia

O cenário do investimento em tecnologia, principalmente voltada para o consumidor, está passando por uma transformação. Até agora, a maioria dos recursos estava sendo direcionada para empresas que atendem ao mercado corporativo, onde os contratos são mais substanciais e o potencial de escalabilidade é alto. Muitas startups estavam focadas em soluções de inteligência artificial (IA) para empresas, que, embora forneçam despesas robustas, podem oferecer um longo caminho até a adoção real de seus produtos.

No entanto, de acordo com Vanessa Larco, sócia da Premise e ex-parceira da NEA, esse foco pode mudar em um futuro próximo. “Este será o ano do consumidor”, afirmou Larco durante um episódio do podcast Equity. E essa mudança pode ser mais positiva do que parece.

O Apelo do Setor Consumidor

Num cenário onde as grandes empresas têm orçamentos generosos, a adoção de novas tecnologias muitas vezes encontra obstáculos. Para Larco, o problema é simples: “Elas não sabem por onde começar.” Em contrapartida, o setor consumidor pode oferecer um caminho mais ágil para a adoção de tecnologia.

“Quando se trata de produtos para consumidores e prosumidores, as pessoas já têm em mente como desejam usar esses produtos”, ela explica. Isso significa que, se um novo aplicativo ou gadget atender a uma necessidade real, os usuários tendem a adotá-lo rapidamente. Essa rapidez de aceitação é uma vantagem significativa em comparação com o setor corporativo, onde a implementação pode ser lenta e cheia de incertezas.

Como Iniciar um Ciclo de Inovação?

No mundo das startups focadas em consumidores, o feedback é praticamente imediato. Se um produto não estiver fazendo sucesso, a empresa não precisará esperar meses ou até anos para perceber. Isso cria um ciclo de inovação onde as empresas podem ajustar rapidamente suas ofertas de acordo com a demanda do mercado, pivotando, ajustando ou, se necessário, completamente reformulando suas estratégias.

“Se você está vendendo para consumidores, você saberá rapidamente se está atendendo a uma necessidade e poderá fazer alterações se necessário”, afirma Larco. Esse ritmo dinâmico pode criar um espaço fértil para inovações que ressoem com o público.

Sinais de Esperança no Setor de Tecnologia Consumidora

Já há indícios de que a tecnologia voltada para o consumidor pode estar voltando a subir. Em 2022, por exemplo, a OpenAI lançou uma série de aplicativos no ChatGPT que permitiram aos usuários fazer compras via Target, explorar o mercado imobiliário com Zillow, planejar viagens com Expedia e até criar playlists no Spotify, tudo através da interação com um chatbot.

Larco observa que a IA pode se transformar em um serviço de concierge, projetado para executar uma variedade de tarefas de forma intuitiva. “O desafio é saber quais serviços devem ser especializados e quais podem ser mais gerais”, afirma.

Isso levanta uma questão intrigante: quais empresas tradicionais conseguem se manter relevantes à medida que novas soluções de IA emergem, e quais correm o risco de serem superadas? Por exemplo, empresas como Tripadvisor ou WebMD enfrentarão um futuro desafiador se não se adaptarem.

Investindo em Startups Seguras

Enquanto Larco acredita que 2026 será um ano forte para fusões e aquisições, ela também está em busca de startups que não sejam ameaçadas pelo avanço da OpenAI. “A OpenAI não gerencia ativos do mundo real”, observa. “Não creio que eles irão desenvolver uma concorrente da Airbnb, pois isso exigiria gerir imóveis e interagir com humanos diretamente.”

Ela está atenta às empresas que podem preencher as lacunas que surgem, além de se questionar sobre o que pode acontecer se a OpenAI decidir implementar uma taxa sobre o tráfego que direciona para plataformas como a Airbnb. “Isso vai ser uma parte interessante do mercado nos próximos anos”, arremata.

A Mudança nas Redes Sociais é Necessária

Em um mundo onde a desinformação se tornou um problema crescente, Larco também ressalta a necessidade de mudança nas plataformas sociais. Durante um momento de reflexão ao navegar nas redes sociais, ela ficou impressionada com a quantidade de conteúdo gerado por IA. Isso gerou uma dúvida: como podemos distinguir a verdade em meio a tanta informação distorcida?

Larco sugere que a audiência comece a questionar a veracidade do conteúdo que consome. Com a proliferação de vídeos e imagens gerados por IA, a confiança nas redes sociais está sendo consumida. Como resultado, ela sugere que plataformas tradicionais, como o Meta, devem evoluir ou se arriscar a se tornar meras fontes de entretenimento.

“Precisamos nos afastar de obter nossas notícias do Meta. O conteúdo se tornou mais divertido, mas perdeu a credibilidade”, afirma Larco.

Voz e Tecnologia: Uma Nova Fronteira

Com a recente aquisição da startup Manus pela Meta, muitos acreditam que isso pode ser um passo para aprimorar as famosas “smart glasses” que a empresa já possui. Larco vê grande potencial nesse caminho, pois essas lentes inteligentes oferecem uma forma de interação sem a necessidade constante da tela do celular.

Ela acredita que estamos próximos de uma era onde assistentes de voz realmente podem facilitar nossas vidas, ao invés de servirem apenas como um recurso acessório. “Algumas coisas são melhores com voz do que com uma tela”, diz ela. O uso de assistentes de voz pode facilitar até mesmo as tarefas diárias, como responder perguntas infantis.

Conclusão: Uma Nova Era se Aproxima

O futuro da tecnologia voltada para o consumidor parece promissor. À medida que notamos uma mudança da lógica corporativa para uma abordagem mais centrada no consumidor, novas oportunidades e inovações estão à vista. Com startups mais voltadas para as necessidades dos usuários, um cenário onde a confiança e a credibilidade sejam restauradas nas redes sociais e a integração da tecnologia de voz, podemos estar a caminho de uma nova era cheia de potencial.

Olhando para 2026, as possibilidades parecem infinitas. Se essas promessas se concretizarem, poderemos dizer que este realmente foi o "ano do consumidor". À medida que nos aprofundamos nessa transição, será fascinante observar como as startups poderão impulsionar soluções únicas que realmente ressoam com os consumidores. O desenrolar desse enredo nos ensina que, no final das contas, a inovação nasce da necessidade e da adaptação.

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