Desvendando Segredos: Como AI Labs Usam Mercor para Captar Dados Ocultos

por Marcos Evaristo
Mercor CEO Brendan Foody

O Futuro da Inteligência Artificial: Como Antigas Empresas Encontram Novas Estrategias

O mundo da tecnologia está em constante evolução, e nos últimos anos, a inteligência artificial (IA) se destacou como uma das inovações mais impactantes. No entanto, com a ascensão das IA’s, surgiu uma nova perspectiva no mercado: as empresas começaram a buscar conhecimento e experiência de ex-funcionários de grandes corporações, em vez de investir grandes somas em contratos para adquirir dados. Essa estratégia foi discutida por Brendan Foody, CEO da Mercor, durante o TechCrunch Disrupt 2025.

A Nova Fronteira dos Dados

Em tempos anteriores, as empresas de tecnologia gastavam fortunas fechando contratos com outras organizações para obter acesso a dados críticos. Agora, o foco está em conectar ex-funcionários de bancos de investimento, consultorias e escritórios de advocacia com laboratórios de IA em busca de automatizar processos. Mercor, a startup liderada por Foody, se posiciona como um canal importante nessa nova dinâmica. Entre seus clientes estão algumas das maiores empresas de IA, como OpenAI, Anthropic e Meta.

A visão de Foody sobre esse cenário é intrigante: ele sugere que a resistência de corporações como Goldman Sachs à automação pode ser um sinal das mudanças inevitáveis que estão por vir. Essa resistência, segundo ele, decorre do medo de que seus modelos de negócio sejam transformados, uma vez que os laboratórios de IA buscam maneiras de otimizar seus processos.

O Mercado em Transformação

A abordagem da Mercor é um reflexo das mudanças no mercado. Ao invés de depender de dados fornecidos pelas empresas, que muitas vezes relutam em compartilhar, as laboratórios de IA estão agora contratando especialistas que já conhecem os fluxos de trabalho necessários para a automação. Foody menciona que esses profissionais podem ganhar até $200 por hora, ajudando a treinar modelos de IA e gerando mais de $1,5 milhões diários para a Mercor.

Em pouco tempo, a Mercor conseguiu alcançar uma receita anual recorrente de aproximadamente $500 milhões, e recentemente foi avaliada em $10 bilhões. Isso mostra como a metodologia de adquirir conhecimento por meio de ex-funcionários pode ser lucrativa. Contudo, o crescimento da Mercor também levanta preocupações entre as empresas tradicionais, que temem perder sua vantagem competitiva.

As Duas Faces da Mudança

Foody reconhece que existem empresas que estão se adaptando a esta nova realidade e que percebem a importância de abraçar a inovação. Ele acredita que essa nova economia de trabalho abstrato pode ser comparada à gig economy que surgiu com plataformas como o Uber. Essa reflexão indica um futuro onde as empresas que adotam a inovação estarão à frente na corrida.

No entanto, ele também se conscientiza de que muitas empresas estão apavoradas com essa disrupção. A possibilidade de seus clientes buscarem serviços diretamente nos laboratórios de IA pode levar à desintermediação dos serviços que eles prestam. Para Foody, as empresas que perceberem isso cedo estarão mais bem posicionadas no futuro.

Prevenindo a Espionagem Corporativa

Um dos aspectos mais desafiadores dessa nova abordagem é a questão da segurança. A Mercor trabalha para evitar que seus contratados cometam espionagem corporativa – o ato ilegal de roubar informações proprietárias. Em um ambiente onde a maioria dos colaboradores pode estar envolvida em projetos paralelos, é um desafio garantir que dados confidenciais não sejam compartilhados.

Foody menciona que, embora ex-funcionários estejam contribuindo com suas expertises, isso não deve incluir a transferência direta de dados confidenciais de suas antigas empresas. Contudo, ele também admite que, com a escala da startup, pode haver desafios em monitorar todas as interações.

A Propriedade do Conhecimento

Um ponto de vista intrigante que Foody apresenta é o conceito de que o conhecimento na cabeça de um funcionário pertence ao próprio funcionário e não à empresa. Essa visão é mais generosa do que a que muitos empregadores costumam ter. Na prática, isso pode criar um dilema ético na hora de contratar especialistas.

Por exemplo, a Mercor busca por um CTO ou co-fundador de startups que possa autorizar o acesso a códigos de produção que ajudarão na avaliação de IAs. Essa abordagem pode ser vista como uma maneira de reunir conhecimento sem necessariamente roubar dados de outras empresas, mas levanta questões sobre a linha tênue entre saber e compartilhar.

Uma Nova Era para Empresas de Tecnologia

A Mercor não é a única startup que está navegando por essa nova realidade. Outras empresas, como Surge e Scale AI, também estão se adaptando a essa abordagem mais consultiva de contratação. No passado, estas empresas focavam em tarefas simples de rotulagem de dados, mas agora muitas perceberam que os laboratórios de IA precisam de especialistas para melhorar seus modelos.

Um aspecto notável do crescimento da Mercor é como ela se beneficiou das mudanças no relacionamento entre outras startups e seus clientes, especialmente após a meta de investimento significativa na Scale AI pela Meta. Esse crescimento meteórico coloca a Mercor em uma posição competitiva interessante, mesmo que ainda esteja aquém de gigantes como Surge.

Olhando para o Futuro da Inteligência Artificial

Com a expansão contínua da IA, Brenden Foody acredita que as ferramentas de IA, como o ChatGPT, podem um dia substituir os melhores consultores, bancos de investimento e firmas de advocacia. Ele vê essa transformação como um efeito positivo que poderá criar abundância para todos, indicando que o crescimento da IA não é uma ameaça, mas uma oportunidade.

Essa visão é encorajadora. Ao invés de temer a automação, as empresas têm a chance de se adaptar e crescer. A capacidade de aprender com ex-funcionários e aproveitar esse conhecimento pode ser uma forma poderosa de prosperar em um mundo em rápida transformação.

Conclusão

A Mercor e seu modelo inovador representam um futuro onde as empresas optam por explorar o conhecimento de ex-colaboradores ao invés de depender de contratos de dados. O mercado está mudando, e as empresas que se adaptarem a essa nova realidade poderão colher os frutos dessa transformação. O aprendizado contínuo e a inovação são essenciais em um mundo onde a inteligência artificial está se tornando cada vez mais proeminente. A pergunta que fica é: sua empresa está pronta para essa nova era?

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