A Revolução da Inteligência Artificial nas Empresas de Logística
Nos últimos tempos, muito se tem discutido sobre a inteligência artificial (IA) e seu impacto em diversos setores, especialmente na logística e na cadeia de suprimentos. Com empresas como Flexport e Uber Freight lançando inovações, a IA parece ter encontrado um lar fértil em soluções práticas e valiosas. Mas o que isso realmente significa para as pequenas empresas e seus funcionários? Vamos explorar como a tecnologia pode transformar esses negócios e como ela está sendo recebida de maneira cautelosa.
A Adoção da Inteligência Artificial
A inteligência artificial não é mais apenas um conceito futurista; ela está se infiltrando no cotidiano das empresas, ajudando firmas desde grandes corporações até pequenas startups a otimizar suas operações. Entre essas inovações, destacamos a Opportunity Engine da Netstock, uma empresa que fornece software de gestão de inventário. Esse novo recurso promete transformar a forma como as empresas gerenciam seus estoques e, mais importante, como os funcionários interagem com a tecnologia.
A Revolução Silenciosa
Com a pandemia, muitas empresas pequenos e médios começaram a buscar soluções tecnológicas para se manter competitivas. Essa mudança não se limita apenas a uma tentativa de ganhar dinheiro, mas também visa a sobrevivência em um mundo onde a velocidade da informação e a eficiência são cruciais. Portanto, a IA não é apenas uma ferramenta; ela é um parâmetro vital para o sucesso.
Netstock, fundada em 2009, introduziu o Opportunity Engine, que funciona como um assistente interno. Essa ferramenta utiliza dados do software de planejamento de recursos da empresa e fornece recomendações em tempo real. Para entender melhor, imagine ter um colega sempre disponível, pronto para lhe oferecer sugestões sobre o que você deve fazer no trabalho.
Como Funciona o Opportunity Engine
Esse sistema opera coletando informações diretamente do software de gestão que as empresas já utilizam. A partir daí, ele faz recomendações que podem ajudar as empresas a economizar dinheiro e melhorar a eficiência. Segundo a Netstock, até agora, o sistema já fez mais de um milhão de recomendações, e 75% delas têm um valor estimado acima de US$ 50 mil.
A ideia é simples: usar a IA para interpretar dados complexos e transformar essas informações em ações claras e simples, poupando tempo e esforço humano. A economia de tempo e dinheiro é o que torna essa tecnologia tão atraente e relevante.
Medo e Cautela nas Empresas Tradicionais
Mas nem tudo são flores. Uma empresa que tem sido um case interessante — e até mesmo complicado — é a Bargreen Ellingson, um fornecedor de restaurantes com 65 anos de história. Jacob Moody, seu diretor de inovação, inicialmente estava cético em relação à adoção de ferramentas de IA.
Ele mencionou que muitas empresas tradicionais têm uma cultura de desconfiança em relação às mudanças rápidas, especialmente quando essas implicações envolve a inteligência artificial. “Antigas empresas familiares não confiam em mudanças cegas”, disse ele. Moody decidiu apresentar a ferramenta à sua equipe como uma opção, não uma imposição. Sua abordagem, que ele mesmo descreveu como “mergulhar os pés com cautela”, refletiu a mentalidade de muitos em sua posição.
O Primeiro Contato com a IA
A resistência inicial de Bargreen Ellingson em usar o Opportunity Engine é compreensível. Em um ambiente onde cada decisão impacta diretamente o cliente, confiar em um “ caixa-preta” pode gerar insegurança. Para quebrar essa barreira, Moody apresentou a IA como um auxílio, permitindo que os gestores escolhessem se queriam ou não utilizá-la.
A aceitação gradual funciona, pois os funcionários percebem os benefícios da tecnologia, especialmente quando a IA começa a simplificar processos que antes eram tediosos e demorados. Moody explica que, embora os resumos fornecidos pela IA não sejam sempre precisos, eles ajudam a “criar sinais a partir do ruído”. Isso é especialmente valioso durante as horas em que seus funcionários não estão disponíveis para decidir manualmente o que fazer.
Potencial de Aprendizado e Crescimento dos Funcionários
Uma das mudanças mais significativas ocorreu no desempenho dos funcionários. Moody notou que a ferramenta estava ajudando funcionários menos experientes a se tornarem mais produtivos. Ele citou um exemplo de um trabalhador em uma das 25 instalações da Bargreen que, apesar de não ter um diploma universitário, conseguiu interagir com o sistema e melhorar sua produtividade.
“Ele conhece nossos clientes e o que está sendo colocado no caminhão todos os dias. Agora, com a IA, ele pode acessar insights valiosos rapidamente, sentindo-se capacitado para tomar decisões”, comentou Moody. Essa empoderamento é fundamental para garantir que os funcionários sintam que estão contribuindo para o sucesso da empresa, mesmo em níveis mais baixos.
Navegando pelos Desafios da Tecnologia
É normal ter preocupação com novas tecnologias, especialmente em um cenário onde muitas soluções em IA não são efetivas. O cofundador da Netstock, Kukkuk, reconhece essa hesitação, enfatizando que a sua ferramenta é baseada em mais de uma década de dados valiosos. Isso confere à empresa uma vantagem competitiva, uma vez que as recomendações são construídas com base em dados reais e relevantes.
O Dilema do Controle e da Autonomia
Um dos desafios enfrentados por empresas que implementam IA é encontrar o equilíbrio entre libertar a tecnologia e manter o controle humano. Kukkuk está ciente disso e observa que uma abordagem excessivamente permissiva com a IA pode levar a resultados imprecisos. Ele compara a situação com plataformas de mídia social, onde um conteúdo enganoso pode se espalhar rapidamente.
Para evitar isso, o Opportunity Engine é apresentado em um painel de controle onde as sugestões são visíveis, mas não intrusivas. Isso significa que os funcionários têm a opção de seguir ou ignorar as recomendações da IA, permitindo que o fator humano ainda tenha um papel crucial na tomada de decisões.
O Futuro da Logística com IA
O sucesso do Opportunity Engine representa um passo importante na evolução digital das pequenas e médias empresas. Contudo, há um caminho a percorrer até que essa tecnologia se torne uma parte integrada do cotidiano. “Ainda temos um longo caminho a percorrer até que possamos permitir que a IA decida sozinha pela empresa”, afirma Moody.
Ainda assim, a esperança está presente. As empresas devem se preparar para as mudanças que estão por vir. Se a tecnologia continuar evoluindo da maneira que está, é inevitável que o papel de seres humanos em funções específicas possa mudar. Moody expressou preocupações sobre a redução de especialistas em ciência de dados nas empresas, mas ressaltou a importância de manter esse conhecimento humano.
Conclusão
A introdução da inteligência artificial na logística e na gestão de suprimentos não se trata apenas da adoção de uma nova ferramenta; é uma transformação fundamental em como os negócios operam. Empresas como a Bargreen Ellingson mostram que existem desafios, mas também oportunidades. O equilíbrio entre a tecnologia e a equipe humana é essencial.
Portanto, enquanto a jornada para aceitar e integrar a inteligência artificial pode ser lenta e cautelosa, a transformação promete melhorar não apenas os números na conta, mas também a satisfação no ambiente de trabalho. Esta é a era da inteligência artificial nas empresas, e, com ela, um novo capítulo está apenas começando.